Conhecendo o funil do voto

Como construir a estratégia do funil do voto

Expressão funil do voto foi criada por professor de marketing digital eleitoral, é uma adaptação do funil de vendas, método para planejar o direcionamento de uma pessoa a adquirir determinado produto.

Com a aproximação das eleições de 2018, o termo funil do voto começa a circular entre marqueteiros e estrategistas de campanhas eleitorais, como instrumento poderoso de planejamento não só para atrair novos possíveis eleitores, mas para fazê-los a votar em determinado candidato.

A prática consiste na convergência de técnicas de SEO (Search Engine Optimization) e estratégias de marketing político, amplamente usado em campanhas de televisão e rádio, que migra com força para a internet, o meio mais eficaz e eficiente de interagir com muitos eleitores em pouco tempo e com pouco dinheiro. Usando a confluência desses dois métodos tem-se um mecanismo que dirige pessoas a entrar e percorrer um caminho de conversão de likes em votos.

 

O funil do voto

Imaginado com a forma de um funil, o modelo consiste em usar práticas para atrair pessoas, interagir com ela e conduzi-las até o lugar mais profundo do desenho. O termo foi adaptado pelo especialista em marketing digital eleitoral, Anderson Alves.

 

4 etapas práticas divididas em 3 momentos:

Consciência: momento 1

A atração é o começo do funil do voto. As pessoas estão interessadas em assuntos que podem trazem benefícios a elas. Portanto, descobrir o que o público quer como demanda é fundamental. Usar algum tempo para descobrir preferências do eleitor, em enquetes, conversas, caminhadas é investimento, é preciso testar assuntos e ver como eles são aceitos pela população. Deve-se lembrar das pessoas com deficiência, cegos e surdos precisam de meios específicos de comunicação.

Chama-se consciência o momento em que o leitor tem conhecimento sobre uma pessoa, uma causa ou um assunto. A depender do conteúdo, pode-se trabalhar a estratégia de apesentar um problema (que seja comum a várias pessoas) e defender que determinado candidato tem a solução.

O conteúdo é produzido com o objetivo de chamar atenção. As manchetes são mais apelativas e têm a obrigação de despertar interesse.

Mas não há milagre, a internet é o reflexo da vida real. Fake News logo são descobertas.

Quem escreve fala sobre tudo e para todos. Cria muito conteúdo, com nível superficial de expertise, para que não haja possibilidade de não ser entendido. Nem todos vão se interessar sobre todos os assuntos, mas certamente alguém vai. Essa pessoa já está preparada para passar a próxima etapa do funil. Aos que não demonstraram interesse, é preciso gerar novos temas e divulgar, começar um novo funil.

É pertinente dizer que esse momento nunca termina, se um político ou candidato a cargo eletivo deseja semear seu poder político na internet, ele deve estar sempre produzindo conteúdo novo para alimentar essa parte do funil.

Deve-se saber usar cada rede social, cada uma têm uma função principal, e principalmente como fazer a interação entre elas com o intuito de ser visto. Ter uma página no facebook não é fazer campanha eleitoral ou pré campanha eleitoral; é na verdade um fiasco, pois mostra desconhecimento quanto à utilidade do ambiente digital.

 

Consideração: momento 2

Depois que tomou consciência, se a estratégia for a apresentação de um problema e uma solução, por exemplo, o leitor deve considerar como verdadeira a proposta da solução. Vai descendo no funil do voto. Interessado, ele clica num link que o direciona para um cadastro num site, landing page, isca digital.

Aqui é o momento da transição do cadastro para o relacionamento. Estratégias de produção de conteúdo original e interativo são maciçamente usadas. É hora de criar a intimidade com o possível eleitor, respondendo comentários e sempre gerando assuntos novos. Atenção às possibilidades para geração de oportunidades de convivência.

Postar informações com começo, meio e fim no próprio texto, sem um link ou algo que direcione para o relacionamento é um verdadeiro fracasso estratégico. É preciso planejar algum tipo de contato ou nunca se saberá o grau de confiança das pessoas que curtiram e compartilharam uma página ou se votarão em alguém.

O relacionamento acontece semanalmente usando técnicas de SEO e habilidades do marketing eleitoral. Leitor que continua recebendo conteúdo e interage com ele na lista de transmissão e redes sociais, cria vínculo que pode se transformar em voto.

 

Decisão: momento 3

Considerando que a etapa anterior foi um sucesso, o fundo do funil do voto gerou um eleitor. Ele manifesta explicita intenção de votar em determinada pessoa. É lá que todo político sonha estar. A interação com ela deve continuar e ser cada vez mais focada nos assuntos de interesse da pessoa.

 

O que considerar no funil do voto:

Os stakeholders: todos devem ser mapeados, saber o papel que têm dentro do planejamento como um todo (candidato, leitores, eleitores, equipe)

O conteúdo: em cada etapa é desenvolvido um tipo de conteúdo.

Técnicas SEO: gerar links, interação, produção de conteúdo original.

Os meios: ferramentas digitais (conhecer a função principal de cada uma).

Os métodos: marketing eleitoral, atração, atenção.

Postagens: verificar o melhor índice de aproveitamento, quais dias e horas são mais eficazes para cada segmento.

Redes Sociais: o papel das redes é direcionar a pessoa para a segunda interação.

 

Métrica:

Quanto mais avaliado é o material, o público, os meios, melhor desenhado será o funil do voto, melhor planejada será uma campanha, mais otimizada ela estará, maiores chances de aproveitar oportunidades e administrar ameaças.

A internet oferece ferramentas para medir acessos, tempo de permanência, velocidade da página, desistências, palavras-chave. Aqui, o segredo é perguntar: quais dias e horas com melhor índice de aproveitamento, quais segmentos acessam determinado conteúdo, quais conteúdos tiveram mais acessos, o que mais interessou o leitor, o que dizem comentários etc.

O monitoramento é um recurso muito eficaz para identificar o que impulsiona o direcionamento para as profundezas do funil e o que bloqueia e prejudica esse fluxo. É essa flexibilidade de planejamento que faz as campanhas progredirem, modelando-se às situações.

 

Conclusão:

As técnicas são tão recentes que o candidato Aécio Neves, candidato ao cargo eletivo mais importante do Brasil, a Presidência da República, só criou seu site em janeiro de 2018. Ter um site é o bê-a-bá de um SEO eficaz. No Congresso, poucos políticos possuem site próprio, e os que o tem deixam escapar excelentes oportunidades de relacionamento e colecionam erros de SEO para ranqueamento no Google.

Todos os anos agências de comunicação publicam pesquisas sobre políticos mais influentes na internet com base em número de interações, likes e compartilhamentos de material. Os 10 primeiros têm em comum o intenso contato com seu público.

As técnicas de SEO começam a ser descobertas pelos políticos brasileiros. Campanha pós campanha, a internet consolida-se como meio rápido, barato e eficaz de interação; mas pouquíssimos candidatos a cargos eletivos e políticos de profissão usam da maneira correta. Ou erram no uso das ferramentas, na elaboração da estratégia ou na incapacidade de visualizar possibilidades de interação.

Fazer um diagnóstico digital do candidato ou político é o primeiro passo, conhecer pontos fortes e fracos (internos) e oportunidades e ameaças (externos), analisar a relação que tem com o público e como usa cada ferramenta digital será a base do primeiro planejamento.